domingo, outubro 21, 2007

Banqueiros vão para a prisão?

O Ministério Público de Mônaco deu parecer favorável à extradição de Salvatore Cacciola para o Brasil. O pedido de extradição formulado pelo Brasil ainda depende da apreciação do Tribunal de Apelações e do Poder Executivo do principado, representado pelo Príncipe Albert 2º.

O banqueiro foi sentenciado a 13 anos de prisão em 2005 por peculato e gestão fraudulenta do banco Marka. Por força de liminar concedida pelo STF em 14 de julho de 2000, o banqueiro teve revogada prisão preventiva decretada naquele mesmo ano e teve a oportunidade de fugir para Itália, onde, graças a sua cidadania italiana, conseguiu manter-se a salvo do risco de extradição. Risco esse que se tornou realidade quando, num momento de "bobeira", resolveu dar uma "voltinha" por Mônaco, onde acabou preso em 15 de setembro último.

Banqueiros vão para a prisão?


Para James Watson







A inteligência não tem cor

Lewis Hamilton deverá sagrar-se na tarde de hoje como o piloto mais jovem a conquistar o campeonato mundial de Fórmula-1. Este será apenas mais um dos vários recordes conquistados pelo piloto inglês ao longo desta temporada. Abstraindo a relevância esportiva, tal fato merecerá a mais ampla repercussão na mídia por uma característica do piloto: Hamilton é negro. Começar a semana enaltecendo o título conquistado pelo primeiro negro a disputar o campeonato mundial de fórmula 1 é motivo de grande contentamento para este blog, sobretudo pelo fato de que nesta semana ficamos estarrecidos com a declaração do biólogo James Watson, Nobel de Medicina em 1962 pelo descobrimento do DNA, de que os negros são menos inteligentes do que os brancos. Da declaração do laureado geneticista, afora a execração mais ferrenha, só nos resta concluir que inteligência e ignorância muitas vezes apresentam-se como razões inversamente proporcionais.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Tropa de Elite

Assisti ao filme na semana passada, numa cópia pirata, adquirida em banca de camelô, sem constrangimentos. O que vi foi uma obra parcial, destinada a mostrar a versão daqueles que vestem a farda do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar. O filme mostra o BOP como uma tropa formada por homens incorruptíveis, doutrinados militarmente para matar bandidos. Não entrarei no mérito da autencidade desse perfil, pois acho mais relevante ressaltar que a ética que norteia a tropa é a de que todos os meios são legítimos para alcançar o fim máximo: acabar, no sentido mais estrito possível, com a bandidagem. O "olho por olho" é a lei do BOP, legítimo representante de um Estado de Polícia.

Ocorre que vivemos, ao menos formalmente, em um Estado Democrático de Direito. Não somos regidos pela velha Lei de Talião, mas de uma Constituição elaborada segundo os dogmas do constitucionalismo humanista. Por vivermos em um estado democrático, cujos princípios este blog não cansa de louvar, reconhece-se o direito dos autores da obra cinematográfica de expressarem o ponto de vista que adotam em relação ao gravíssimo problema da violência em nosso país.

O ponto de vista expressado é o de que a causa do banditismo do tráfico é a cooperação indireta dos "burgueses" que sobem ao morro para comprar as drogas vendidas pelos traficantes. Não negamos essa realidade, no entanto discordamos totalmente da opinião de que seja essa a única causa do tráfico.

O filme, como manifesto, peca ao tentar simplificar exageradamente a causa e a solução para o problema. Peca também ao render-se ao desespero pela busca de paliativos imediatos, pregando que o meio em que estamos inseridos não permite outra solução senão o emprego da violência como estratégia imprescindível para combater a violência.

Apesar de discordar frontalmente da opinião externada pelos autores de Tropa de Elite, denunciando inclusive o fascismo que permeia a obra, não posso deixar de reconhecer que ao estimular o debate sobre um dos temas mais caros de nosso país o filme merece ser visto e revisto por todos que puderem.


Vênus

Extraordinário. Não existe adjetivo mais apropriado para qualificar o filme e a atuação do elenco, do qual se sobrassaem Peter O´Toole e Jodie Whittaker. Ao nos depararmos com um caso de amor entre uma pessoa idosa e uma jovem tendemos, inevitavelmente, a encararmos a situação como ridícula, indecorosa. Se o mais jovem se submete aos desejos do mais idoso, o comum é interpretamos desvios de personalidade entre ambos: o primeiro ingressando na relação com objetivos materiais; o segundo motivado por senilidade e/ou perversão. O filme não se propõe a pulverizar essa corriqueira interpretação, pois tenderia ao absurdo. Maurice se apaixona por Jessie, sobrinha-neta do melhor amigo, que se muda do interior para Londres a fim de cuidar do neurastênico e rabujento tio-avô. Numa fase em que já não esperava da vida grandes acontecimentos, vê na jovem a última das inúmeras paixões que viveu. Ainda que o corpo não reaja ao desejo, a mente lhe propicia render-se ao interesse, embora teórico, pelo erotismo. Essa é a principal mensagem do filme: o erotismo não depende exclusivamente do corpo ativo. Maurice sente tesão pela jovem, deseja ardorosamente seu corpo, mesmo que dele não possa mais gozar. A atração do idoso pela ninfeta não é um amor frio, mas um desejo ardente de possuí-la fisicamente, ainda que para tanto possa prescindir da prática, limitando-se ao prazer teórico. Maurice ama Jessie na sua condição de homem, apesar da inevitável castração trazida pela velhice. O filme é belo, sem ingenuidade, sem pieguice, sem açucaramento.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Dúvida

A minha bola de cristal está com defeito e não conseguirei consertá-la até a próxima quarta-feira. Até lá ficarei me remoendo com uma dúvida: ainda estará presidente do Senado o nosso digníssimo Renan Calheiros?

Sobre ex-ministros, deputados e um certo banco privado

O deputado e ex-ministro tucano Paulo Renato Souza enviou um artigo para a Folha de São Paulo criticando a incorporação do BESC (Banco do Estado de Santa Catarina) pelo Banco do Brasil. Dentre os fatos criticados estão a dispensa de licitação para a incorporação e supostas ofensas às regras concorrenciais que representaria a transferência de controle para o Banco do Brasil. Não me chamou atenção o mérito das críticas, mas sim uma circunstância assaz nebulosa que, por acidente, envolveu o envio do artigo, por e-mail, ao jornal. Ocorre que no corpo do e-mail enviado à Folha, por descuido, o deputado deixou colado fragmento de mensagem dirigida ao presidente do Banco Bradesco. Eis a mensagem:" Em anexo, vai o artigo revisto. Procurei colocá-lo dentro dos limites de espaço da Folha. Por favor, veja se está correto e se você concorda, ou tem alguma observação. Muito obrigado, Paulo Renato Souza." Segundo o deputado, o artigo teria sido submetido à prévia análise do presidente do Bradesco por envolver muitos detalhes técnicos sobre bancos. Caro deputado, essa está difícil de engolir. Cumpre esclarecer que o Bradesco é o maior banco privado do país, perdendo apenas, e justamente, para o Banco do Brasil no ranking geral do mercado bancário no país. Será que o grande banqueiro aprovou a encomenda?




sexta-feira, outubro 05, 2007

Ensaio sobre o poder

Nunca aceitei aquele velho discurso de que o poder corrompe. Prefiro mais a tese de que o poder não corrompe, ele apenas revela. O presidente Lula (o qual, por duas vezes, ajudei a eleger e, em duas outras oportunidades, lamentei a derrota) declarou hoje em Florianópolis que "O Brasil não pode ter medo de arrecadar mais". Essa afirmação, fora de contexto, merece o beneplácito de todo e qualquer cidadão com um mínimo de bom senso. No entanto, a frase foi dita pelo presidente em resposta a perguntas relativas à CPMF. Se ainda se restringisse a CPMF, também seria capaz de dar razão ao presidente. Numa análise isolada, sem dúvida que a "contribuição" (sim, legalmente ainda é uma contribuição, apesar de na prática fazer as vezes de imposto) sai mais cara para quem tem mais dinheiro para movimentar. Ocorre que, como sabemos, todo tributo que onera os mais ricos de forma mais acentuada, acaba sendo repassado, indiretamente, e na mesma proporção, aos que arrecadam menos. Não acredito que o presidente não perceba isso, seria muita idiotia. No entanto, se o presidente não é idiota o suficiente para perceber isso, ao proferir tal frase, só pode ser interpretado como um canalha.

Deixando de lado a dúvida quanto à real personalidade do presidente, cumpre refletir um pouco mais sobre a CPMF. De acordo com a Constituição Federal ( aniversariante do dia), por ser uma contribuição, a CPMF é um tributo de natureza vinculada. Isto é, por ser um tributo de natureza vinculada, a receita através dela obtida tem que ser aplicada numa modalidade de despesa legalmente estabelecida. No caso, seria a saúde. Ocorre que o governo federal, desde que criada a CPMF, desvirtuou o destino dos recursos públicos obtidos através dessa espécie tributária. A arrecadação com a CPMF cresce, mas os gastos com saúde despencam.

Lula esbravejou que "o mal do Brasil é que durante muito tempo ele arrecadou pouco. Então, o Brasil precisa arrecadar o justo para fazer a política social justa". O que seria política social justa para o presidente? Sob o ponto de vista de nossa história econômica, política social é sinônimo de assistencialismo. Política social justa é aquela que o detentor do poder aplica apenas para cooptar o eleitorado. Política social, na história do Brasil, não é justiça social, mas paternalismo demagógico.

A essa altura do campeonato, não consegue perceber o presidente Lula que não é apenas a elite que repudia a excessiva carga tributária? Não percebe o Lula que o povo está farto da tributação escorchante sem retorno em serviços públicos de qualidade? As declarações lulistas nesta tarde de sexta-feira apenas acrescem a lista de declarações estúpidas do presidente ao longo deste vergonhoso segundo mandato.

O poder não corrompe, ele revela. Dói ter ajudado a eleger o Lula...o peso na consciência só não é maior pelo fato de que não havia melhores alternativas.

terça-feira, outubro 02, 2007

Revolta

A notícia de que integrantes de uma torcida organizada do Grêmio seriam neo-nazistas envergonha e causa forte revolta a este blog gremista. Em que pese não poder o clube ser responsabilizado pela ignorância histórica e delinqüência manifesta de alguns torcedores, cabe à direção tomar todas as medidas cabíveis para impedir o ingresso de tais torcedores nas dependências do clube, divulgar uma lista negra contendo o nome e a foto de tais elementos e, logo após, publicar um manifesto de repúdio ao nazismo, bem como promover uma campanha de conscientização entre os torcedores a respeito das características nefastas e abomináveis dessa ideologia.