sábado, dezembro 15, 2007

IGF

A cretina oposição tucana segue refastelando-se na derrota que impingiu ao governo Lula após a rejeição da PEC que prorrogaria a CPMF. Com a estupidez que lhes é peculiar , os próceres do PSDB, capitaneados pelo boçal Arthur Virgílio, entusiasmados com a vitória recente, proferem alertas infantis ao Executivo, ameaçando com a rejeição da prorrogação da DRU. Se no Brasil a política fosse um instrumento a serviço do bem governar, e não um contínuo jogo de interesses puramente privados, o Congresso, ao invés de simplesmente rejeitar a PEC, teria se esforçado paraforçar o Executivo a aplicar a receita da CPMF na modalidade de despesa para que foi criada.

Para quem, assim como este blog, não aguenta mais o festival de besteiras e creticines protagonizadas de igual forma tanto pela situação quanto pela oposição, recomendamos a leitura do excelente artigo a respeito do "cuidadosamente esquecido" Imposto Sobre Grandes Fortunas ( art. 153, VII da CF), de autoria do Procurador da Fazenda Nacional, Almir Teubl Sanches, na edição desta sexta-feira da Folha de São Paulo. Em respeito aos direitos de reprodução da Empresa Folha da Manhã S/A, nos eximimos de transcrevê-lo.









quinta-feira, dezembro 13, 2007

Náusea

A rejeição da PEC que estendia a cobrança da CPMF foi um verdadeiro soco na boca do estômago do governo Lula. Por 4 votos, o Congresso mostrou ao governo - não que ele não soubesse - que a arte da política é feita de cinismo e hipocrisia. Na expectativa de obter a aprovação da proposta, dentre outras negociatas, senadores governistas votaram pela absolvição de Renan Calheiros no processo em que era julgado pela compra de rádios através de laranjas. Em troca, Renan renunciou à presidência do Senado e seus comparsas prometeram a Lula que votariam pela aprovação da proposta de prorrogação da contribuição. Ontem à noite o blefe veio à tona e o governo se escabelou com a notícia de que a receita programada com a arrecadação do tributo se esvaíra pelo ralo. Congressistas que quando eram da situação ajudaram a criar e prorrogar a cobrança da contribuição gritaram "Viva o povo brasileiro!" - impossível resistir à náusea.

domingo, dezembro 09, 2007

Rescue Dawn (O Sobrevivente)

A história tem início em 1965, quando a Guerra do Vietnã vivia a sua fase embrionária.






O Sobrevivente
é Dieter Dengler (Christian Bale), alemão naturalizado norte-americano, piloto da força aérea em missão no Laos. Dieter é abatido pelas forças vietcongues, cai na floresta e vira prisioneiro. Na prisão, encontra-se com outros prisioneiros, todos civis, derrubados quando voavam em um avião de carga que levava mantimentos para a região.

O inferno da guerra é igual para todos. Demônios são demônios e vítimas são vítimas, independente de nacionalidade .

O filme é de um realismo chocante, marca registrada de Werner Herzog. Sofremos com a luta desesperada de Dieter pela sobrevivência, e nos comovemos com a habilidade e a superação por ele empreendida para preservar o nosso bem mais sagrado: a vida.

Rescue Dawn é um manual de sobrevivência, sem clichês apelativos, que nos transmite a certeza de que mesmo quando tudo parece perdido, quando até mesmo a razão parece querer nos deixar, superar a dificuldade é possível.


8 de dezembro


Há 27 anos, John Lennon era assassinado na porta de casa.










Há 13 anos, a música brasileira perdia Tom Jobim.












Hoje à noite no Maracanã, o Paralamas do Sucesso provou mais uma vez que brasileiro sabe fazer rock de qualidade. Qualidade que, em se tratando de Herbert Viana, parece aumentar a cada dia que passa. A dor parece que tornou a sua guitarra mais pesada, mas ao mesmo tempo lhe permite cantar te forma ainda mais bela.








O que o Police fez logo depois foi demonstrar que o rock não envelhece. Aliás, envelhecer parece uma palavra estranha quando vemos Sting no palco. Summers, embora fisicamente velho, revelou uma espantosa jovialidade na guitarra. Já Copeland, nem tão velho, nem tão " jovem", segue sendo o mesmo endiabrado baterista e percussionista de antigamente.


8 de dezembro e música.

sábado, dezembro 08, 2007

Rádio Blog: The Doors

Desde ontem, a Rádio Blog homenageia The Doors. Acesse os links dos clipes e leia o post publicado na noite de ontem.

"Sobre a escrita e o estilo"


"Antes de tudo, há dois tipos de escritores: aqueles que escrevem em função do assunto e os que escrevem por escrever. Os primeiros tiveram pensamentos, ou fizeram experiências, que lhes parecem dignos de ser comunicados; os outros precisam de dinheiro e por isso escrevem, só por dinheiro. Pensam para exercer sua atividade de escritores...É por isso que sua escrita não tem precisão nem clareza. Desse modo, pode-se notar logo que eles escrevem para encher o papel..."

Arthur Schopenhauer, A arte de escrever, L&PM pocket

sexta-feira, dezembro 07, 2007

The Doors


Certos garotinhos imaturos, pretensos comunistas de plantão, ingênuos estudantes ludibriados por estúpidas ideologias autoritárias, burlescamente auto-intitulados inimigos do imperialismo e defensores dos desvalidos, ovelinhas cooptadas por sanguinários fascistas disfarçados de marxistas - sem sequer terem lido a orelha do primeiro volume de O Capital - dentre tantas patologias, tendiam a abominar tudo o que era produzido nos Estados Unidos da América. Bestializados, execravam até o que de melhor a América sempre produziu: arte de qualidade.

Tive a felicidade de nunca conviver com essa espécie de alienados. Sempre admirei o que de melhor os Estados Unidos da América legaram à humanidade.

Dentre os meus ícones norte-americanos, um espaço significativo reservei aos Doors.

Nascida no ano de 1967, em solo californiano, regado a muito ácido e embebido no melhor da contracultura - beatniks, jazz, Blake, Huxley -, The Doors, conduzida pelo entorpecente órgão deManzarek e pela poesia loucamente genial de Jim Morrison têm um lugar cativo no panteão dos grandes músicos do século XX.

As "viagens" de Morrison, lisergicamente construídas a partir de cultos xamanistícos e remissões diretas aos grandes poetas da língua inglesa - sobretudo William Blake -, conduzem-nos ao universo paralelo aberto pelas portas de uma percepção bloqueada pelo superego - portas que Aldous Huxley abriria para adentrar em um mundo hipersensível aos desejos mais recônditos da alma humana, muito embora para isso tenha necessitado recorrer ao LSD.

Ouvir os Doors é um exercício de transcendência inigualável.

Morrison, como nos mostrou Oliver Stone, não conseguia transcender sua existência auto-destrutiva sem recorrer às drogas. Não sabia que com o seu talento seria capaz de provar que a química artificial não é o único meio de abrir as portas da percepção.


terça-feira, dezembro 04, 2007

Ditador?

Paulo Santana postou o seguinte comentário em seu blog, no dia de hoje: "Se perdeu o referendo, Chávez não é um ditador. Porque os ditadores, quando permitem que se realizem eleições, ganham as eleições porque as fraudam. Nunca perderam eleições decisivas quaisquer ditadores".
Ao respeitar o resultado do referendo - mais até do que ao submeter-se a ele - , Hugo Chávez demonstra mais uma vez que sabe como ser um líder populista. Todo ditador sabe que mesmo que detenha o monopólio da força, para permanecer no poder necessita de um mínimo de legitimidade. Por isso todos os ditadores da história sempre estimulam um verdadeiro culto à sua imagem: necessário apelo à idolatria.
Ao respeitar o resultado do referendo deste fim de semana, submetendo-se ao resultado das urnas, Chávez se curva à vontade popular. Tal atitude não é suficiente para modificar a sua imagem de ditador-populista, revela apenas que ele compreende que por mais autoritário que seja, comprando briga com a vontade popular estará fadado ao ostracismo.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Vitória

O anúncio da vitória do "Não" no referendo sobre o projeto de reforma constitucional proposto por Hugo Chávez na Venezuela representa uma grande vitória para a democracia sul-americana. Mais do que o fato de a população rejeitar um projeto que representaria uma maior concentração de poderes nas mãos de um chefe do Executivo, o resultado do referendo, aparentemente a ser respeitado por Chávez, revela que apesar de certas manchas volta e meia causadas por demagógicos líderes populistas, ainda sob o beneplácito dos coturnos, a democracia encontra-se consolidada na América do Sul.