sábado, fevereiro 23, 2008

Negligência

Se deve, principalmente, à falta de tempo o pouco número de postagens neste ano de 2008. Fatos como a renúncia de Fidel merecem um bom comentário, mas não estou conseguindo dedicar tempo a isso. Ainda que não escreva a respeito, indico um blog de acesso obrigatório para quem tenha interesse em saber como vivem, de fato, os cubanos que permanecem a habitar a ilha. Generación Y é o blog da cubana Yoáni Sanchez. A capacidade de descrever com grande talento o cotidiano de uma cubana na ilha dos irmãos Castro torna o acesso ao blog indispensável. Sabemos que a restrição à liberdade de informação na ilha, bem como a parcialidade com que o noticiário internacional aborda os problemas de Cuba , dificultam a todos o acesso ao conhecimento do real estado do país. O link do blog é http://www.desdecuba.com/generaciony/.

Manifesto igualmente forte estranhexza pelo fato de que desde o último dia 19 de fevereiro, dia seguinte à renúncia de Fidel, nenhum novo texto foi postado no blog. O último, no entanto, merece ser lido. Trata-se de uma descrição de como Yoáni recebeu a notícia da renúncia de Fidel. Leiam.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

A morte de Bob Fischer


Bobby Fischer entrou para a história por ser o primeiro norte-americano a sagrar-se campeão mundial de xadrez. A importância do título se deve ao fato de ter sido conquistado em pleno desenrolar da Guerra Fria e, sobretudo, por ser o xadrez o "esporte" nacional dos russos. Após o título (conquistado em cima de Boris Spassky, em 1972), Fischer literalmente "sumiu do mapa", voltando a competir somente no começo dos anos 90.

Em 1992 Fischer, já polêmico por suas constantes declarações contra os judeus, resolveu disputar um torneio na Iugoslávia, contrariando lei norte-americana que proibia os cidadãos estado-unidenses de participar de eventos naquele país. Em razão disso, no início do século, Fischer adotou a cidadania islandesa. A última polêmica em que se envolveu foi quando declarou apoio aos atentados terroristas contra o World Trade Center. Fischer morreu no Japão, permanencendo como o único norte-americano campeão mundial de xadrez, embora impedido de reingressar no solo em que nasceu.


quinta-feira, dezembro 27, 2007

Os Condores

Segundo os documentos oficiais examinados até hoje, a participação do Brasil na Operação Condor não consistia em cometer assassinatos. No entanto, os mesmos documentos - grande parte relatórios da CIA - revelam que militares brasileiros participavam diretamente na captura, no sequestro e na entrega de opositores aos diversos regimes militares da época. Se não "sujavam as mãos" executando as vítimas, os militares as entregavam aos vizinhos aliados, os quais, por sua vez, encarregavam-se de assassiná-las. Além de fornecer informações aos governos vizinhos, e sequestrar os "subversivos", os militares torturavam friamente os capturados.

Vozes de peso, como as dos ex-ministros do STF Francisco Rezek, Carlos Veloso, e do atual Ministro Marco Aurélio Mello, afirmam que os pedidos de extradição dos 11 indiciados pela Justiça italiana não deverão prosperar. Rezek afirma ainda que os crimes em que foram enquadrados (tortura, homicídio e desaparecimento) já estariam prescritos. Para penalistas de renome, como o advogado Belisário dos Santos Jr., os crimes de tortura, além de submeterem-se à jurisdição internacional, são imprescritíveis. Alguns especialistas invocam a Lei de Anistia como fundamento para a inimputabilidade dos 11 indiciados. O presidente da OAB, Cézar Britto, embora compartilhe da opinião de que os indiciados não podem ser responsabilizados penalmente, opina que a Lei da Anistia não pode impedir a abertura de processos que servirão como censura às condutas criminosas praticadas durante o regime. Na comarca de São Paulo tramita uma ação cível, cuja pretensão é a obtenção de provimento jurisdicional que declare que o ex-general reformado Carlos Alberto Ustra praticou crimes de seqüestro e tortura durante a ditadura militar.

Ainda que a extradição dos 11 indiciados seja inconstitucional e que a instauração de processo semelhante no Brasil seja improvável, a iniciativa da Justiça italiana é louvável, na medida em que sacode o tapete e revela um pouco da sujeira que ainda está escondida. Temos o direito de obter acesso à toda e qualquer informação referente às barbáries praticadas pelos condores brasileiros. A insistência em manter lacrados os arquivos de um dos períodos mais negros da nossa história é uma ofensa ao povo brasileiro.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Justiça italiana inicia devassa na Caserna brasileira

A BBC Brasil divulgou a lista dos 11 milicos que tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça italiana por co-responsabilidade no desaparecimento de cidadãos italianos durante o regime militar. O governo brasileiro, por intermédio do Ministro Tarso Genro, afirmou que não poderá colaborar com o pedido de extradição. A Constituição Federal, tão vilipendiada durante os anos de chumbo, acaba servindo de escudo para os generelíssimos, uma vez que o Brasil não pode autorizar a extradição de brasileiros para responderem a processos no exterior.

Eis a lista:

Carlos Alberto Ponzi - ex-chefe do SNI em Porto Alegre

Agnello de Araújo Britto - ex-superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro

Antônio Bandeira - ex-comandante do 3º Exército

Henrique Domingues - ex-comandante do Estado Maior do 3º Exército

Luís Macksen de Castro Rodrigues - ex-superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul

João Leivas Job - ex-secretário de Segurança no Rio Grande do Sul

Átila Rohrsetzer - ex-diretor da Divisão Central de Informações

Marco Aurélio da Silva Reis - ex-diretor do Dops no Rio Grande do Sul

Octávio de Medeiros - ex-ministro do Serviço Nacional de Informações

Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho - ex-diretor e comandante da Escola Superior de Guerra e irmão do ex-presidente Figueiredo

Edmundo Murgel - ex-secretário de Segurança no Rio de Janeiro


Procuradas pela imprensa, as vozes da Caserna mantêm-se em silêncio sepulcral.

terça-feira, dezembro 25, 2007

A Raiz de todo mal?

Chuvinha gostosa, calorzinho suportável, preguiça pós ceia de Natal, distância geográfica, solidão inevitável...clima propicio para cometer o sacrilégio de curtir o ócio assistindo ao documentário The Root of Evil?, do biólogo e militante ateísta Richard Dawkins.

Antes de analisar as opiniões externadas por Dawkins, é preciso analisar o contexto em que são produzidas.

Nenhuma outra nação ocidental vive sob o jugo do fundamentalismo cristão como os Estados Unidos da América. Na verdade, os EUA são cria de um grupo de fundamentalistas protestantes que rumaram para o Novo Mundo com a firme convicção de que eram os escolhidos de Deus para a tarefa de construir a Terra Prometida. Há mais de 300 anos, essa idéia não soava de maneira tão maluca. Ocorre que hoje, esse tipo de pensamento, verdadeiro delírio coletivo que assola mais de 75% do povo norte-americano, é um grave problema. Mais de 135 milhões de norte-americanos acredita na existência do Inferno, dentre eles o Presidente. Pior do que acreditarem que o pecado conduz ao inferno, é achar que a purificação proposta pelas centenas de seitas neopentecostais lhes assegurará um lugar cativo no Paraíso; e que tudo o que aqui fizerem, desde que freqüentem os cultos e sigam a doutrina, lhes salvará.

O fundamentalismo cristão é um problema gravíssimo, verdadeira epidemia que assola as terras do Tio Sam. Uma nação em que as escolas, a grande maioria delas, execra a teoria da evolução e tem no Gênese a única fonte capaz de revelar a verdade sobre a origem da vida, padece de uma assustadora doença, carecendo de forte oposição em termos pedagógicos.

Para 80% dos norte-americanos, o Universo foi criado há menos de 6 mil anos. A Teoria da Evolução é uma falácia, um sacrilégio que reduz os filhos de Deus à meros animais.

É contra esse tipo de alienação que Dawkins se insurge, ferrenhamente, pregando que a religião é a raiz de todo o mal.

Dawkins discorre a respeito do fundamentalismo islâmico (fonte dos homens-bomba) e mosaico. Mas mais tempo a derrubar os dogmas cristãos.

Ao se dispôr a enfrentar tamanha batalha, contrapondo a luz da ciência às trevas da fé, Dawkins acaba, de forma paradoxal, pregando uma espécie de fundamentalismo científico.

Embora agnóstico, discordo que a religião, strito senso, seja a raiz de todo o mal. O fundamentalismo, sim, é uma das tantas raízes do mal reinante.

Religião e ciência, fé e razão, são formas diferentes de tentar descrever o homem, a vida, o Universo.

A religião se torna maléfica quando se apresenta como a dona da verdade, das verdades primeiras e últimas. Reconheço que a grande maioria delas se propõe a isso; mas existem muitas, todas elas de origem oriental, que se restringem a procurar ajudar as pessoas a buscar o auto-conhecimento. Não se preocupam em pregar verdades, mas ajudar as pessoas a encontrá-las, tudo em nome de uma finalidade única: viver segundo preceitos de solidariedade, de respeito e amor ao próximo e a si próprio.

À ciência incumbe a tarefa de descrever as regras do Universo. De contemplar e descrever. De se questionar ao infinito, sobrepujando teorias obsoletas e chegar o mais próximo possível da compreensão do todo - que se um dia acontecer, representará o seu próprio fim.

Não cabe à ciência provar ou negar a existência de Deus. Assim como não é tarefa da religião dizer como, quando e porque o Universo e a vida foram criados.

Quando cientistas e religiosos se conscientizarem a respeito de suas tarefas, e muitos o são, não haverá lugar para os fundamentalismos.

3 Filmes sobre a História da Irlanda

Domingo Sangrento (Bloddy Sunday), 2001, direção de Paul Greengrass

Em Nome do Pai (In the Name of the Father), 1993, direção de Jim Sheridan, com Daniel Day- Lewis, Pete Postlethwait e Emma Thompson

Michael Collins, 1996, direção de Neil Jordan, com Liam Neesson, Stephen Rea, Aidan Quinn e Julia Roberts

Irlanda


Antes de sua adesão à União Européia, ocorrida em 1973, a Irlanda era um país extremamente pobre, predominantemente agrícola, atividade desenvolvida de forma rudimentar, incapaz de propiciar o necessário desenvolvimento econômico.

Como membro da União Européia, a Irlanda vivencia um boom econômico, fruto da modernização econômica e da grande modernização tecnológica.

Durante séculos, a Irlanda foi o derradeiro recanto da cultura celta, que antes abrangia a França e a Inglaterra. No século V, foi convertida ao cristianismo por St. Patrick. Desde o século XII, quando o rei normando-inglês Henrique II resolveu ocupá-la, os irlandeses passarem a sofrer severos martírios sob o jugo da espada inglesa.

No século XVI, quando da Reforma Protestante, mais especificamente com o rompimento de Henrique VIII com Roma, que culminou na fundação da Igreja Anglicana, os irlandeses, de arraigado catolicismo, rebelaram-se corajosamente contra o domínio inglês. Como estratégia para "amansar" os rebeldes irlandeses, Henrique VIII editou a Lei da Cedência e Devolução, através da qual transformava todas as terras da Irlanda em propriedade pessoal sua, do Rei. Somente os proprietários que jurassem fidelidade ao rei inglês teriam devolvidas as terras expropriadas. Cada motim irlandês era reprimido com o aumento do confisco de terras. Em 1570, a rainha Isabel I proibiu o comércio de lã, que rivalizava com a produção inglesa. Medidas idênticas foram tomadas contra a produção de tabaco e de algodão, o que lançou a ilha num estado de pobreza crônica. Os ingleses, não satisfeitos em aniquilar a economia irlandesa, passaram a reprimir as manifestações culturais celtas, proibindo sua língua e seus trajes, num dos maiores etnocídios da história da Europa.

Ao longo dos séculos, a luta entre ingleses e irlandeses apenas se intensificou. No século XX, o domínio inglês determinou ao povo irlandês que se alistasse para lutar pela Inglaterra na 1ª Guerra Mundial, fato que levou o genial poeta W.Yeats a escrever que o destino do povo irlandês é "guerrear a quem não odiavam e proteger a quem não amavam".

Em 1916, aproveitando o enfraquecimento inglês, fruto do envolvimento na primeira grande guerra, um grupo de militantes da Irmandade Republicana irlandesa (predecessora do IRA), organizaram um levante que redundou na proclamação da República Irlandesa.

A principal força rebelde irlandesa, o IRA, fundado por Michael Collins, passou a protagonizar uma série de ações espetaculares, que levaram a decretação de Lei Marcial em solo irlandês. Em 1920, como represália a morte de 14 oficiais ingleses, um grupo de forças especiais a serviço da Inglaterra (Blacks and Tans) invadiram um estádio de futebol em Dublin e abriram fogo, covardemente, contra os espectadores, culminando em 12 mortos e centenas de feridos. O episódio ficou conhecido como Bloody Sunday.

Em 6 de dezembro de 1921, os irlandeses, liderados por Michael Collins, assinaram o Tratado Anglo-Irlandês, que assegurou a indepedência parcial da Irlanda, na medida em que, ao norte, 6 províncias do Ulster, predominantemente protestante, permaneceriam ligadas à Inglaterra.

Neste século, o IRA aceitou baixar as armas. Em troca, os ingleses passaram a respeitar os 3/4 do território como independentes. A economia irlandesa vem dando um salto significativo, e no campo cultural fala-se em um "renascimento gaélico". Após mais de 800 anos servindo de laboratório para as mais abomináveis atrocidades perpetradas pelo imperialismo britânico, hoje a Irlanda parece ter conseguido, após tanto heroísmo e bravura, alcançar a paz.


Pesquisa: História por Voltaire Schiling (http://educaterra.terra.com.br/voltaire/index.htm)

Como tudo funciona

Já havia indicado o site Como tudo funciona (link na lista ao lado) quando me meti a fazer uma breve descrição sobre a origem e o funcionamento dos buracos negros.

O site foi criado em 1998, por um professor da Universidade Estadual da Carolina do Norte. Se você é curioso, garanto que vai se deleitar com as informações nele contidas. Os assuntos são divididos por tópicos e subtópicos, como ciência (ciências da vida, ciências naturais, ciências da Terra, engenharia, espaço e sobrenatural) e sua casa (coisas da casa, comida, segurança da casa, reforma doméstica, home office, no jardim). É possível descobrir desde como consertar uma geladeira até como se dá a partida nos motores a jato dos aviões.

Num feriado chuvoso como o de hoje, em que não estamos a fim de nos desgastarmos com maiores preocupações, é uma excelente pedida para passar o tempo.

Natal na Caserna

Alguns "generalíssimos" brasileiros receberam um presente de Natal bastante indigesto. A justiça italiana expediu mandado de prisão contra 13 militares brasileiros, protagonistas da Operação Condor, espécie de "Mercosul do Terror" posto em prática pelas sanguinárias ditaduras que assolaram o continente dos anos 60 ao final dos 80. Os nomes dos milicos brasileiros ainda não foram revelados, e as ordens de prisão têm por fundamento a necessária punição dos responsáveis pelo desaparecimento de 22 cidadões italianos durante os anos de chumbo. D. Aloísio Lorscheider parece ter tido uma conversa ao pé-do-ouvido com o Onipresente, tão logo desembarcou no andar de cima. Infelizmente, parece que somente por iniciativa do Judiciário do Velho Continente é que os bandidos que aterrorizaram a América Latina durante os governos militares poderão sofrer alguma punição. Chile, Argentina e Uruguai nem tanto, mas em nosso país, os crimes da ditadura estão longe de merecerem a devida punição pelo Estado. É constrangedor o pacto de silêncio que os governos brasileiros, mesmo quando exercidos por próceres do combate aos governos militares, insistem em impor à sociedade brasileira.