Se nada for feito, a vida mais uma vez imitará a arte.
quinta-feira, maio 22, 2008
Triste aniversário
Se nada for feito, a vida mais uma vez imitará a arte.
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domingo, fevereiro 24, 2008
Oscar
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A renúncia
A renúncia de Fidel Castro é o fato mais marcante da semana. Talvez, num exercício arriscado de futurologia, divida com a eleição do novo presidente norte-americano o título de principal fato de 2008.
Durante 49 anos de pode absoluto, Fidel amalgamou a imagem de santo e demônio. Líder da heróica Revolução de 1959, conseguiu, até o fechamento dos cofres soviéticos, construir uma nação com fantásticos índices de qualidade social. Por qualidade social entenda-se: excelente sistema de saúde público, com acesso a toda população; educação de qualidade, com erradição total do analfabetismo; desemprego zero. Para quem vivia em Cuba antes da Revolução, ou para qualquer habitante do terceiro mundo que sobrevive com as dificuldades cruéis da miséria extrema, viver em um país como esse equivaleria a mudar-se para o Paraíso. Comida, saúde, emprego, educação, é o mínimo necessário para a sobrevivência. O problema é esse, o mínimo não basta.
Se o mínimo já não era o bastante, após o cruel embargo norte-americano a Cuba, e sobretudo ao fim do auxílio financeiro soviético, sequer isso Fidel conseguia assegurar aos cidadãos cubanos. A saúde, que fora excelente, hoje é simplesmente boa. O analfabetismo continua erradicado. Já a comida, essa começa a escacear. Ainda não há fome em Cuba, mas a variedade de gêneros alimentícios é cada vez menor.
O lado demoníaco de Fidel, ainda que em muito inferior a de tantos outros ditadores que aterrorizaram a humanidade no século XX, revelava-se justamente na tática empregada para calar aqueles que não se contentavam apenas com o mínimo. Para estes, Cuba era uma prisão. Para os que se negavam a sujeitar-se ao poder instituído, a prisão perpétua ou o paredón era o destino inevitável. Casos como o dos boxeadores cubanos que se evadiram da delegação nos jogos pan-americanos do Rio de Janeiro são exemplares do quanto o governo de Fidel pode ser cruel para aqueles que não o aceitam.
Não existe liberdade em Cuba. E sem liberdade, não há dignidade. Sem liberdade, o ser humano não consegue realizar a plenitude da sua personalidade. Sem liberdade, há apenas subsistência. Vegetativa subsistência. E para Fidel, a liberdade sempre foi uma ameaça à Revolução. Por isso, viver em Cuba, mesmo que com comida (escassa), médicos e remédios de graça (estes, não se sabe até quando), não pode ser considerado um paraíso. Sem dúvida que, no todo, é melhor que antes da Revolução; mas não é o suficiente.
Fidel renunciou ao poder por problemas de saúde. Enquanto mantiver a capacidade de raciocínio, desempenhará o papel de eminência parda de um governo que, ao menos enquanto Raul permanecer no cargo, não se prenuncia como muito diferente do que é hoje. Diferente seria se representasse a ruptura dos grilhões, e desde que isso não representasse uma prostituição aos interesses norte-americanos.
Cuba não é o paraíso. Cuba não é livre. Mas a realidade de Cuba poderia ser muito pior. Por isso a manchete da Veja mais uma vez é tendenciosa e estúpida. Fidel não foi tarde. Fidel foi na hora certa, desde que com isso haja liberdade, sem libertinagem.
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sábado, fevereiro 23, 2008
Negligência
Manifesto igualmente forte estranhexza pelo fato de que desde o último dia 19 de fevereiro, dia seguinte à renúncia de Fidel, nenhum novo texto foi postado no blog. O último, no entanto, merece ser lido. Trata-se de uma descrição de como Yoáni recebeu a notícia da renúncia de Fidel. Leiam.
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sexta-feira, janeiro 18, 2008
A morte de Bob Fischer
Em 1992 Fischer, já polêmico por suas constantes declarações contra os judeus, resolveu disputar um torneio na Iugoslávia, contrariando lei norte-americana que proibia os cidadãos estado-unidenses de participar de eventos naquele país. Em razão disso, no início do século, Fischer adotou a cidadania islandesa. A última polêmica em que se envolveu foi quando declarou apoio aos atentados terroristas contra o World Trade Center. Fischer morreu no Japão, permanencendo como o único norte-americano campeão mundial de xadrez, embora impedido de reingressar no solo em que nasceu.
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quinta-feira, dezembro 27, 2007
Os Condores
Vozes de peso, como as dos ex-ministros do STF Francisco Rezek, Carlos Veloso, e do atual Ministro Marco Aurélio Mello, afirmam que os pedidos de extradição dos 11 indiciados pela Justiça italiana não deverão prosperar. Rezek afirma ainda que os crimes em que foram enquadrados (tortura, homicídio e desaparecimento) já estariam prescritos. Para penalistas de renome, como o advogado Belisário dos Santos Jr., os crimes de tortura, além de submeterem-se à jurisdição internacional, são imprescritíveis. Alguns especialistas invocam a Lei de Anistia como fundamento para a inimputabilidade dos 11 indiciados. O presidente da OAB, Cézar Britto, embora compartilhe da opinião de que os indiciados não podem ser responsabilizados penalmente, opina que a Lei da Anistia não pode impedir a abertura de processos que servirão como censura às condutas criminosas praticadas durante o regime. Na comarca de São Paulo tramita uma ação cível, cuja pretensão é a obtenção de provimento jurisdicional que declare que o ex-general reformado Carlos Alberto Ustra praticou crimes de seqüestro e tortura durante a ditadura militar.
Ainda que a extradição dos 11 indiciados seja inconstitucional e que a instauração de processo semelhante no Brasil seja improvável, a iniciativa da Justiça italiana é louvável, na medida em que sacode o tapete e revela um pouco da sujeira que ainda está escondida. Temos o direito de obter acesso à toda e qualquer informação referente às barbáries praticadas pelos condores brasileiros. A insistência em manter lacrados os arquivos de um dos períodos mais negros da nossa história é uma ofensa ao povo brasileiro.
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quarta-feira, dezembro 26, 2007
Justiça italiana inicia devassa na Caserna brasileira
A BBC Brasil divulgou a lista dos 11 milicos que tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça italiana por co-responsabilidade no desaparecimento de cidadãos italianos durante o regime militar. O governo brasileiro, por intermédio do Ministro Tarso Genro, afirmou que não poderá colaborar com o pedido de extradição. A Constituição Federal, tão vilipendiada durante os anos de chumbo, acaba servindo de escudo para os generelíssimos, uma vez que o Brasil não pode autorizar a extradição de brasileiros para responderem a processos no exterior.
Eis a lista:
Carlos Alberto Ponzi - ex-chefe do SNI
Agnello de Araújo Britto - ex-superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro
Antônio Bandeira - ex-comandante do 3º Exército
Henrique Domingues - ex-comandante do Estado Maior do 3º Exército
Luís Macksen de Castro Rodrigues - ex-superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul
João Leivas Job - ex-secretário de Segurança no Rio Grande do Sul
Átila Rohrsetzer - ex-diretor da Divisão Central de Informações
Marco Aurélio da Silva Reis - ex-diretor do Dops no Rio Grande do Sul
Octávio de Medeiros - ex-ministro do Serviço Nacional de Informações
Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho - ex-diretor e comandante da Escola Superior de Guerra e irmão do ex-presidente Figueiredo
Edmundo Murgel - ex-secretário de Segurança no Rio de Janeiro
Procuradas pela imprensa, as vozes da Caserna mantêm-se em silêncio sepulcral.
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terça-feira, dezembro 25, 2007
A Raiz de todo mal?
Antes de analisar as opiniões externadas por Dawkins, é preciso analisar o contexto em que são produzidas.
Nenhuma outra nação ocidental vive sob o jugo do fundamentalismo cristão como os Estados Unidos da América. Na verdade, os EUA são cria de um grupo de fundamentalistas protestantes que rumaram para o Novo Mundo com a firme convicção de que eram os escolhidos de Deus para a tarefa de construir a Terra Prometida. Há mais de 300 anos, essa idéia não soava de maneira tão maluca. Ocorre que hoje, esse tipo de pensamento, verdadeiro delírio coletivo que assola mais de 75% do povo norte-americano, é um grave problema. Mais de 135 milhões de norte-americanos acredita na existência do Inferno, dentre eles o Presidente. Pior do que acreditarem que o pecado conduz ao inferno, é achar que a purificação proposta pelas centenas de seitas neopentecostais lhes assegurará um lugar cativo no Paraíso; e que tudo o que aqui fizerem, desde que freqüentem os cultos e sigam a doutrina, lhes salvará.
O fundamentalismo cristão é um problema gravíssimo, verdadeira epidemia que assola as terras do Tio Sam. Uma nação em que as escolas, a grande maioria delas, execra a teoria da evolução e tem no Gênese a única fonte capaz de revelar a verdade sobre a origem da vida, padece de uma assustadora doença, carecendo de forte oposição em termos pedagógicos.
Para 80% dos norte-americanos, o Universo foi criado há menos de 6 mil anos. A Teoria da Evolução é uma falácia, um sacrilégio que reduz os filhos de Deus à meros animais.
É contra esse tipo de alienação que Dawkins se insurge, ferrenhamente, pregando que a religião é a raiz de todo o mal.
Dawkins discorre a respeito do fundamentalismo islâmico (fonte dos homens-bomba) e mosaico. Mas mais tempo a derrubar os dogmas cristãos.
Ao se dispôr a enfrentar tamanha batalha, contrapondo a luz da ciência às trevas da fé, Dawkins acaba, de forma paradoxal, pregando uma espécie de fundamentalismo científico.
Embora agnóstico, discordo que a religião, strito senso, seja a raiz de todo o mal. O fundamentalismo, sim, é uma das tantas raízes do mal reinante.
Religião e ciência, fé e razão, são formas diferentes de tentar descrever o homem, a vida, o Universo.
A religião se torna maléfica quando se apresenta como a dona da verdade, das verdades primeiras e últimas. Reconheço que a grande maioria delas se propõe a isso; mas existem muitas, todas elas de origem oriental, que se restringem a procurar ajudar as pessoas a buscar o auto-conhecimento. Não se preocupam em pregar verdades, mas ajudar as pessoas a encontrá-las, tudo em nome de uma finalidade única: viver segundo preceitos de solidariedade, de respeito e amor ao próximo e a si próprio.
À ciência incumbe a tarefa de descrever as regras do Universo. De contemplar e descrever. De se questionar ao infinito, sobrepujando teorias obsoletas e chegar o mais próximo possível da compreensão do todo - que se um dia acontecer, representará o seu próprio fim.
Não cabe à ciência provar ou negar a existência de Deus. Assim como não é tarefa da religião dizer como, quando e porque o Universo e a vida foram criados.
Quando cientistas e religiosos se conscientizarem a respeito de suas tarefas, e muitos o são, não haverá lugar para os fundamentalismos.
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3 Filmes sobre a História da Irlanda
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