terça-feira, julho 10, 2007

Os submarinos e a energia limpa

Li no portal do UOL: Lula admite atraso e destina R$1 bi a projeto nuclear da marinha. Um bi reais! Um bi reais pra Marinha brincar de farbicar submarinos. Submarinos com propulsão nuclear. "Energia limpa", diz o Lula. A moda da energia limpa em questão começou com os milicos, no final dos anos setenta. Milico adora energia limpa. Torraram milhões de dólares com os elefantes-brancos de Angra, suspenderam o projeto, nos relegaram dividas monstruosas. Dívidas monstruosas em um regime monstruoso.Desde a época do Openheimer, desde Hiroshima. Energia limpa. Fissura do núcleo de átomos de urânio para fins bélicos. Foi assim que começou. Brincaram de fabricar a bomba e a jogaram em Hiroshima e Nagasaki. Um ministro japonês foi demitido há poucos diz ao manifestar a opinião de que as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki foram medidas inevitáveis para acelerar o fim da guerra. Sim, um ministro japonês foi quem disse. Foi demitido. Liberdade de expressão. Liberdade de falar bobagens como essa. Esquecera-se o ministro que o Japão já estava com a rendição assinada quando os americanos resolveram brincar de jogar o sol sobre a Terra do Sol Nascente?Talvez eu que não saiba nada de História. Um bi pra marinha. Lula destina um bi pra Marinha, e pede desculpas pelo atraso. Lula está certo, o Brasil precisa de muitos submarinos nucleares.

A pizza e a morte do chinês corrupto

A China executou hoje um ex-ministro condenado por receber proprina da indústria farmacêutica. A pena de morte aplicada em agentes políticos corruptos é medida utilizada pelo governo chinês com o propósito de agradar a sofrida grande maioria da população chinesa, alijada das benésses que muitos poucos chineses desfrutam nesta era de opulência econômica. Somos intransigentemente contrários à pena de morte, mas não podemos deixar de louvar as estatísticas chinesas de dura repressão à corrupção; mazela que lá, como aqui, é acentuada. Não existem governos incorruptíveis. Mas governos que, além de maculados pela corrupção, sejam tão coniventes com ela como o brasileiro, são poucos no mundo minimamente esclarecido. Nossa corrupção é endêmica, endemia esta que somente poderia ser combatida se a certeza da punibilidade fosse uma constante em nosso país. No entanto, neste dia da pizza, deveríamos homenagear os nossos governantes lenientes e corruptos com bombardeios de pizza. Deveríamos bombardeá-los com pizzas reais, suculentas, numa tentativa democrática de fazê-los sentir na cara, na cabeça a nossa ojeriza a essa metafóra sórdida que já estamos cansados de engolir. Bombardeá-los com pizzas de verdade, já que bombardeá-los com as leis penais parece uma utopia nestes tempos de roubalheira generalizada e não punida.

sexta-feira, julho 06, 2007

Sobre a Índia e os Cartões de Crédito

O Herald Tribune noticia que os indianos estão revoltados com as tarifas e taxas cobradas pelas administradoras de cartão de crédito no país. Insurgem-se contra o crescimento estratosférico do saldo devedor na hipótese de pagamento mínimo. A conscientização dos consumidores indianos é forte, redundando numa diminuição acentuada do uso do "dinheiro de plástico". Esse crescimento exponencial deriva de um mecanismo que, como disse certa vez um desembargados meu conhecido, "é da natureza do contrato de cartão de crédito". Essa natureza se chama agiotagem oficial, escamoteada para o consumidor no momento da assinatura do contrato (na verdade, mera adesão, sem assinatura), quando o consumidor é ludibriado e incentivado com a falsa promessa de que basta efetuar o pagamento mínimo constante da fatura para amortizar o saldo devedor em pouco tempo e sem incomodação. Lá, como cá, os efeitos são os mesmos. Se o direito posto não se preocupa em adequar as condutas sociais a patamares justos, resta ao consumidor evitar a diabólica tentação do crédito fácil e não entrar no conto do dinheiro de plástico.

Estatística

Deu no blog do Fernando Rodrigues: sob a égide da Constituição de 1988, dos 130 processos que tramitaram contra políticos e altas autoridades no STF, nenhum resultou em condenação, e 46 processos sequer foram analisados - restornaram à 1ª instância em virtude do término do mandato dos réus . Já no STJ, desde 1989 (ano de criação do tribunal), das 483 ações penais, apenas 5 resultaram em condenação, enquanto que 11 redundaram em absolvição. A Associação dos Magistrados Brasileiros foi a fonte dos dados.

terça-feira, julho 03, 2007

Leitura obrigatória

Sob o domínio dos bancos, por Bernardo Kucinski

www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3648

domingo, julho 01, 2007

Bancada podre

Em sua coluna de hoje na Folha de São Paulo, Clóvis Rossi observa que 85% da bancada do PMDB no Senado está envolvido em pendengas judiciais. Ou seja: apenas três dos vinte senadores da maior bancada da casa passam incólumes a um exame de credibilidade ética. Importante dar nome aos bois. São eles: Pedro Simon, Paulo Duque e Geraldo Mesquita. Considerando que o presidente Lula manifestou a intenção de que, na hipótese de Renan Calheiros ser defenestrado, a presidência do Senado deverá ser ocupada por outro peemedebista, a escolha só pode recair sobre uma dessas três "freiras do prostíbulo", como os denominou o articulista. No entanto, ao que parece, a casa deverá ser presidida por Sarney ou Marco Maciel. Tal fato apenas corrobora o que já sabemos: na política brasileira, o quesito idoneidade ética foi de há muito mandado às favas.

Os arquivos

A abertura dos arquivos secretos da CIA, levada a cabo nos últimos dias, mais do que revelar a atuação e ingerência do governo norte-americano sobre a América Latina, marcada por tentativas de assassinato de líderes de esquerda à elaboração de relatórios investigativos permeados de imprecisões interpretativas, serve de escopo para que reflitamos mais uma vez sobre a omissão do governo brasileiro em abrir os arquivos secretos da ditadura militar.

A grande mídia, embora de forma ocasional, tem se insurgido contra esse verdadeiro atentado ao direito de informação da sociedade brasileira. Esta, por sua vez, talvez em decorrência da overdose de escândalos noticiados cotidianamente pela imprensa, não tem demonstrado grande disposição em lutar pelo direito que lhe assegura tanto a Constituição quanto a legislação infraconstitucional. Afora aqueles que tiveram familiares diretamente vitimados pelo regime, a maioria dos brasileiros não parece nem um pouco interessada em conhecer maiores detalhes sobre o que ocorria nas masmorras dos anos de chumbo.

Não obstante a omissão do Executivo, o Ministério Público e alguns setores da sociedade civil têm clamado pela abertura dos arquivos, sem, no entanto, obter grande sucesso.

Não se trata simplesmente de elogiar o forte respeito dos norte-americanos pela liberdade de informação – o qual de fato existe, embora severamente mitigado nestes tempos de governo Bush -, mas sim de exigir do governo brasileiro que acabe logo com essa injustificada omissão.

Vozes autorizadas afirmam que a omissão do governo brasileiro tem como propósito preservar a honra e a imagem de militares e de políticos, de esquerda e de direita, que ainda conservam o status de homens públicos.

É a velha tática de varrer a sujeira para baixo do tapete. Cabe à sociedade civil repensar a sua atitude para com essa omissão e perceber que a sujeira acumulada durante tantos anos sob o tapete guarda íntima relação com a de hoje. E que sem remover o tapete, toda essa sujeira histórica não poderá ser definitivamente varrida.

sábado, junho 30, 2007

Road to Guantanamo

Road to Guantanamo é a história verídica de quatro jovens tipicamente ingleses, de ascendência paquistanesa, que, um mês após os ataques de 11 de setembro,viajam para o Paquistão a fim de prestigiar o casamento de um deles. Do Paquistão, rumam para o Afeganistão a fim de prestar ajuda humanitária às vítimas dos ataques norte-americanos. Lá chegando, se deparam com a cruel realidade de um país devastado pela guerra. Presenciam a derrubada dos talibãs e se vêem prisioneiros das forças da Aliança do Norte. Acabam sendo entregues às forças norte-americanas e transferidos para um campo de concentração fascista na base americana de Guantánamo, Cuba.

O filme revela com força de documentário a verdade nua e crua da barbárie cometida pelo governo norte-americano contra centenas de muçulmanos aleatoriamente escolhidos como supostos terroristas da Al-Qaeda.

Até o ano passado, mais de 750 prisioneiros passaram por Guantanamo. Desses, apenas dez foram acusados formalmente, enquanto é estimado que quinhentos prisioneiros ainda estejam submetidos às condições desumanas do campo de concentração norte-americano.

Filme obrigatório para quem pretende conhecer melhor as práticas terroristas empregadas pelo governo Bush em sua insana guerra contra o terror.

A Volta

Após um longo período de afastamento, voltamos a jogar no blog alguns textos escritos nas horas de folga. Esperamos que o exercício da nossa liberdade de expressão e de informação seja capaz de informar e deleitar os eventuais leitores.