sábado, novembro 10, 2007

Norman Mailer


A literatura amanheceu de luto neste sábado. Morreu Norman Mailer, um dos ícones do new jornalism. Estilo marcado pela mistura de reportagem e ficção, teve como um dos precursores Truman Capote, com seu genial A Sangue Frio.


Aguardava com ansiedade o lançamento em português da mais recente obra de Mailer, "The Castle in the Forest", romance no qual descreve 3 gerações da família de Hitler. Nessa obra ele destaca a infância do genocida alemão, cuja família descreve como permeada por relações incestuosas.

É sempre triste abrir um grande livro de um grande escritor e saber que aquele será o último que teremos a oportunidade de ler.



A Tropa de Elite

Há algumas semanas atrás expus a minha leitura do filme Tropa de Elite. Assumi ter vislumbrado forte conotação fascista na obra. Talvez tenha me equivocado: fascista é o BOPE, e não necessariamente o filme. A notícia de que a Tropa de Elite do Rio matou 38 pessoas e prendeu outras 45 até o dia 15 de outubro último corrobora a minha opinião . Sei que o grupo atua em situações extremas, de verdadeira guerra civil. Ocorre que o BOPE é uma equipe policial, não é um exército. As favelas no qual se dão os "combates" não são zonas de guerra declarada, mas redutos urbanos dominados por verdadeiras milícias do crime. O Estado não deixa à população das favelas outra opção senão a de residir naquelas regiões. Em razão disso, legitimar o vale-tudo no combate ao tráfico é instituir tacitamente um estado de excessão. Legitimar a forma como o BOPE atua nas favelas é mais uma demonstração de que no Brasil os fins justificam os meios. Mas afinal, qual a real finalidade do combate ao tráfico? Essa finalidade é exterminar fisicamente todos os traficantes? Você acha que isso é possível? No combate ao gravíssimo problema do tráfico de drogas a única solução encontrada pelo Estado é pôr em prática a solução final? Invadir favela matando tudo o que se mexe, única e exclusivamente porque é local dominado por bandidos, é um meio de ação louvável?

quarta-feira, novembro 07, 2007

O Mito da Monogamia

David P. Barash é doutor em zoologia e professor de psicologia na Universidade de Washington, em Seattle. Judith Eve Lipton é uma renomada psiquiatra especializada em questões envolvendo a mente feminina. Além de serem casados a 30 anos e terem dois filhos, escreveram um interenssantíssimo livro entitulado O Mito da Monogamia: Fidelidade e infidelidade entre pessoas e animais.

A obra é rica em detalhes sobre a vida conjugal de um sem-número de espécies animais, além, é claro, de revelar uma série de dados coletados por inúmeros estudiosos sobre o comportamento sexual entre os seres humanos.

Sob o ponto de vista puramente biológico, e daí o título da obra, a monogomia é um fato raro no reino animal, antinatural inclusive entre os humanos. Descambando para uma explicação religiosa, podemos afirmar após ler o livro que Deus nos criou com uma peculiar e quase invencível propensão ao sexo extraconjugal: poliandria, entre as fêmeas; poliginia, entre os machos.

Característica inata a todos os seres animais, neles incluídos nós, humanos, a fidelidade é um fenômeno raro na natureza. Embora rara, ela existe, e os autores da obra discorrem sobre uma sucessão de possíveis fatores que justificariam a escolha (difícil, quase impossível de ser posta em prática) pela cópula intrapar em detrimento da cópula extrapar, esta a mais comum e naturalmente sugestionada entre as pessoas e os animais.

Dá para resumir o livro em uma certeza, revelada tanto pela biologia como pela psicanálise, de que o fazer sexo é a atividade suprema, o instinto mais forte seja de um besouro quanto de um ser humano. A finalidade: a propagação e a preservação da espécie. Para as fêmeas, a qualidade. Para os machos, a quantidade. As primeiras preocupadas em gerar filhos com as qualidades genéticas que reputam mais importantes. Daí a necessidade de não se furtarem em buscar cópulas extrapar, submetendo-se a se transformarem em campo de batalha da competição entre a miríade de esperma com que são fecundadas pelos machos das mais variadas características genéticas. Qualidade, é o que elas buscam. Já os machos, sem critérios, buscam realizar o maior número possível de cópulas, para fecundarem o maior número possível de ovos, e assim proliferarem as suas sementes.

Essa a explicação biológica, apresentada pelo livro.

Mas a grande questão do livro, cujas tentativas de resposta nos remetem a uma vastidão de teorias interdisciplinares, é: por que monogamia?

Da filosofia de Platão, segundo a qual todos temos uma alma gêmea - avassaladoramente questionada em função do improvável encontro - , à explicação sociológica de que a promiscuidade da fêmea não é encarada com bons olhos por todas as sociedades humanas, passando pelo vatícinio da antieconomicidade da opção pelo harém, além, é claro, do vazio psicológico derivado do sexo casual e indiscriminado, somos estimulados a refletir, em vários momentos com muito humor, sobre as possíveis causas e consequências da fidelidade e da infidelidade.

Concluindo o estudo, os autores deixam claro que, embora não natural, a monogomia é uma opção pela felicidade - da qual compartilham num casamento de 20 anos -, pois nem tudo o que é natural é bom.

A monogomia é um mito biológico. Mas para nós, humanos, uma escolha bastante comum: uma regra com bons frutos mas algumas exceções.

Nem tudo o que é natural é bom. Nem tudo o que é bom é natural.

sábado, novembro 03, 2007

Gênios parte 1

Sebastião Salgado

Supercamundongo


Uma universidade norte-americana, em projeto iniciado há cinco anos, conseguiu produzir 500 camundongos capazes de correr de cinco a seis quilômetros a uma velocidade de 20 metros por minuto, em uma esteira, por até seis horas, sem intervalos.

O gene modificado, comum entre roedores e humanos, tornou os animais mais agressivos e com uma estimativa de vida maior que os camundongos normais.

sexta-feira, novembro 02, 2007

A Greve dos Roteiristas

A agência AFP noticia que os roteiristas de Hollywood iniciarão uma greve por tempo indeterminado na próxima segunda-feira exigindo dos grandes estúdios e das cadeias de televisão melhor distribuição dos lucros obtidos com as vendas de DVD.

O movimento serve também para revelar o quanto é hipócrita a campanha contra a pirataria em países como o Brasil, onde os dvd´s originais são vendidos com preços mais elevados que os dos países cuja população possui maior poder aquisitivo, tudo com o escopo de alimentar a sanha lucrativa dos empresários, sem que o preço remunere os verdadeiros autores das obras: roteiristas, diretores, atores, e demais artistas.

O que há por trás da forte companha contra a pirataria de dvd´s e cd´s no país não é a luta pela remuneração dos autores ou o combate à sonegação fiscal. A verdadeira finalidade da campanha é evitar que os cofres das grandes produtoras, todas estrangeiras, engordem menos do que o necessária para saciar a sede dos magnatas da indústria da mídia.

Pirataria não é crime, é desobediência civil, é sinônimo de exercício do direito de acesso à cultura.

Na Biblioteca - Parte 1

1) O Evangelho Segundo Jesus Cristo, José Saramago -

Saramago nos revela um Jesus humanizado, em profunda crise existencial, atormentado pelo descobrir-se escolhido como Cristo. A obra rendeu ao genial escritor um decreto de excomunhão pela Igreja Católica.


2)
As Vinhas da Ira, John Steinbeck –

Em plena Grande
Depressão
, uma família de agricultores ruma do leste para o oeste dos Estados Unidos a fim de reencontrar a dignidade tolhida pelos efeitos do capitalismo selvagem.


3)
A Montanha Mágica, Thomas Mann –


É a estória de Hans Castorp, um jovem fútil e sem perspectivas, em sua estadia em um sanatório em Davos, Suíça , onde fora visitar um primo tuberculoso. Lá, em contato com diversos internos, cada qual representando uma corrente filosófica, o jovem se depara com as grandes questões da humanidade: de onde viemos, para onde vamos, o que queremos?


4)
O Tempo e o Vento, Erico Verissimo -

Trezentos anos em três volumes. A história do Rio Grande do Sul, do Brasil e do Mundo no maior romance histórico produzido pela literatura brasileira. Como poucos, Erico concilia erudição e entretenimento, demonstrando qual o real objetivo da literatura.

5) O Cavaleiro Inexistente, Italo Calvino -

Com o humor que lhe é peculiar, Calvino nos faz refletir sobre o grande conflito do viver em sociedade: essência e aparência.


quinta-feira, novembro 01, 2007

Lágrimas

Lágrimas de amor não secam
Lágrimas de amor eternizam
Lágrimas de amor alimentam
Lágrimas de amor enternecem
Lágrimas de amor embevecem
Lágrimas de amor deslizam pelo meu corpo
Nutrem minha alma apaixonada
Por ti...para ti...sempre...por todo o sempre

Debaixo d´água

Enquanto pegava a estrada, desabava o mundo sobre a capital...saudade...assim deixei Porto Alegre na noite de quarta-feira...trabalho..trabalho...decepção tricolor...de volta à zona sul.